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A indefinição na eleiçao Francesa

O primeiro turno das eleições francesas do próximo domingo se transformou na corrida mais apertada em pelo menos 60 anos. Qualquer um dos quatro candidatos nas primeiras posições das pesquisas poderá passar ao segundo, previsto para 7 de maio.De acordo com a média mantida pelo site Huffington Post, os percentuais atribuídos a cada um são: Emmanuel Macron – 22,7%; Marine Le Pen (foto) – 22, 4%; François Fillon – 20%; Jean-Luc Mélenchon – 19,8%. Inferior a 3 pontos percentuais, a diferença entre o primeiro e o quarto colocados não permite cravar o resultado. Há, portanto, seis possibilidades de confronto no segundo turno, sem que ninguém possa dizer o que acontecerá nas urnas.Entre aqueles certos de ir votar no domingo (mais de 65%), os indecisos são estimados por diferentes pesquisas entre 10% e 12,5%. É gente suficiente para virar a eleição em favor de qualquer um dos quatro. Mesmo Marine, cujos eleitores se dizem mais certos do voto, perdeu algo como 3,5 pontos em média, desde o início de março. Os mercados de apostas parecem certos de que ela estará entre os dois finalistas. No Hypermind, que simula as chances de cada candidato, ela tem 74% de chances de passar para a próxima fase, ante 59% de Macron, 46% de Fillon e 20% de Mélenchon. Mas as mesmas apostas dão Macron como favorito a vencer o pleito – probabilidade de 53,3% no Hypermind, e de 51,6% no OddsChecker.Ex-ministro das Finanças do governo socialista, hoje no En Marche! (Avante!), Macron tem uma chance equivalente à de vencer no cara ou coroa. Em comício ontem em Bercy, diante de uma plateia estimada entre 20 mil e 30 mil pessoas, manteve o tom centrista (e ambíguo), que tenta aproveitar “o melhor da esquerda e o melhor da direita”.Apesar do favoritismo, ele não pode fazer nenhuma inflexão na estrategia sem saber quem enfrentará. Se a adversária for Marine, da Frente Nacional, a campanha será ditada pela oposição entre o “isolacionismo” dela (que pretende fechar fronteiras e convocar um plebiscito para deixar a União Europeia) e o “europeísmo” dele (que fala em livre-mercado, maior abertura econômica e eficiência do Estado). Se o adversário for Fillon, dos Republicanos, o discurso de Macron terá de ser outro. Ele não poderá lançar mão da cartada liberal, pois o programa do próprio Fillon, ex-primeiro ministro no governo Nicolas Sarkozy, é bem mais ambicioso em termos de cortes do funcionalismo e redução no tamanho do Estado.Macron tentará então chamar atenção para o escândalo de corrupção que atingiu Fillon (acusado de ter mantido a mulher durante anos em cargos públicos sem trabalhar). E usará seu principal trunfo: a juventude. Aos 39 anos, Macron representaria a renovação, diante de um ex-premiê comprometido há décadas com a política tradicional.Marine, ao contrário, parece acreditar que seu adversário no segundo turno será mesmo Macron. Diante de 5 mil pessoas reunidas num auditório parisiense, reforçou ontem seu discurso nacionalista, propondo uma moratória na imigração legal, “para acabar com esse delírio, essa situação descontrolada, que nos arrasta para o fundo”.O conservadorismo de Fillon a obrigaria a adotar um outro tom. Ela teria de lançar mão de suas propostas estatistas e medidas de cunho social para combatê-lo no campo econômico. Também não poderia posar de líder da insurgência contra o “globalismo”, já que Fillon, apesar de favorável à UE, é próximo do presidente russo Vladimir Putin e tem reservas quanto à atuação do bloco. Em imigração, perde para ela em grau, mas não em substância.O azarão é o comunista Mélenchon. Ganhou 8 pontos percentuais no último mês, na esteira do naufrágio do candidato socialista Benoît Hamon. Mélenchon defende uma espécie de “bolivarianismo” à francesa. Adota o tom da esquerda mais arcaica e radical. É contra as ideias liberais de Macron e Fillon e disputa eleitores com Marine, pela postura anti-UE.Seu sucesso recente pode ser explicado por dois motivos. O primeiro é a revolta contra políticos convencionais  – ele, Marine e o próprio Macron podem ser considerados outsiders. O segundo é o esquerdismo atávico de parcela expressiva dos franceses. Diante da crise da social-democracia representada no Partido Socialista, resistem aos programas liberais de Macron e Fillon e preferem ou o populismo à direita de Marine, ou o à esquerda de Mélenchon. Ambos não são tão diferentes assim.

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