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Região Metropolitana de João Pessoa tem o maior nível de desigualdade do Brasil

Foto: Jornal Correio da Paraíba/Arquivo

Região Metropolitana de João Pessoa (RMJP) tem o maior nível de desiguldade do Brasil. A constatação é da quarta edição do ‘Boletim Desigualdade nas Metrópoles’ que levantou dados acerca dos efeitos que a pandemia da Covid-19 provocou ao longo de um ano, no que diz respeito à renda e distribuição entre os moradores das metrópoles.

Na Região Metropolitana de João Pessoa, também conhecida como Grande João Pessoa, o rendimento médio dos 10% mais ricos passou de 50,8 para 99,8 vezes maior do que o rendimento médio dos 40% mais pobres.

A RMJP é composta por 12 municípios, incluindo a Capital e cidades como Bayeux, Cabedelo e Santa Rita, que são conurbadas, além de outras como Conde e Pedras de Fogo. A população total é estimada em 1,3 milhão de habitantes, sendo João Pessoa a principal concentração, com cerca de 820 mil pessoas, e Lucena a menor, com pouco mais de 13,2 mil habitantes.

Dentre as cidades da RMJP, João Pessoa e Cabedelo são as que têm os melhoes índices de desenvolvimento humano e são as mais ricas.

Municípios da RMJP

  • BAYEUX
  • CABEDELO
  • CONDE
  • CRUZ DO ESPÍRITO SANTO
  • JOÃO PESSOA
  • LUCENA
  • RIO TINTO
  • SANTA RITA
  • ALHANDRA
  • CAAPORÃ
  • PEDRAS DE FOGO
  • PITIMBU

Imagem: Divulgação

A pesquisa utiliza dados provenientes das PNADs Contínuas, produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O boletim é elaborado pelo Observatório das Metrópoles, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e com o Observatório da Dívida Social na América Latina (RedODSAL).

“O resultado das desigualdades de renda nas nossas metrópoles, depois de um ano de ocorrência da pandemia da Covid-19, foi de sua elevação de modo muito abrupto, decorrente principalmente da perda de renda da população mais pobre, a parcela da população que já estava vivendo com nível de renda muito pequeno, insuficiente para garantir a qualidade vida nos grandes centros urbanos do país”, pontua o professor do IPPUR/UFRJ e um dos coordenadores do estudo, Marcelo Ribeiro.

De acordo com os pesquisadores, os dados ainda mostram que os efeitos sociais da pandemia nas metrópoles não mostram sinais de arrefecimento no primeiro trimestre de 2021.

“Nesse sentido, o auxílio emergencial continuará cumprindo um papel fundamental por mais alguns meses, até que se façam sentir os efeitos do avanço da vacinação e de um eventual aquecimento do mercado de trabalho, que deveria ser induzido pelo governo”, disse o professor da PUCRS e também coordenador da pesquisa, Andre Salata.

Brasil

Aproximadamente 40% dos brasileiros, ou mais de 80 milhões de pessoas, vivem em Regiões Metropolitanas – assim consideradas pelo IBGE. O peso demográfico, político e econômico dessas regiões é conhecido, assim como os enormes desafios sociais que nelas se apresentam.

De acordo com os dados levantados pelo estudo, o percentual de pessoas vivendo em domicílios com renda per capita do trabalho menor que um quarto do salário mínimo, no conjunto das metrópoles, era de 20,2% no início da série histórica, em 2012. Já no primeiro trimestre de 2020 chegava a 24,5%. E, apenas um ano depois, no 1º trimestre de 2021, alcançou o patamar de 29,4%. Em termos absolutos, isso significa que em apenas um ano o número de pessoas nessa situação passou de 20.230.528 para 24.535.659.

Os dados mostram que no primeiro trimestre de 2021 a média móvel do coeficiente de Gini nas Regiões Metropolitanas, que mede a desigualdade de rendimentos do trabalho (quanto mais alto o valor, maior a desigualdade), atingiu seu maior valor na série histórica, iniciada em 2012, chegando a 0,637. Isso significa que o nível de desigualdade da renda do trabalho foi o mais elevado em todo o período observado. Um ano atrás, no primeiro trimestre de 2020, antes de sermos atingidos pela crise da Covid-19, essa média do Gini era de 0,608.

A pesquisa mostra ainda que para o estrato dos 40% mais pobres, o rendimento médio do trabalho caiu 33,4% no conjunto das metrópoles, entre o 1º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2021. Para os 50% de renda intermediária a queda foi de 7,6%. E para o estrato de renda dos 10% do topo da distribuição a queda foi de 4,8%.

Portanto, segundo a pesquisa, apesar de ter ocorrido redução de rendimento em todos os estratos de renda, a queda foi muito mais pronunciada para os mais pobres. Em geral, considerando todos os estratos, houve queda de 8,5% do rendimento médio no conjunto das Regiões Metropolitanas, que passou de R$ 1.423,93 para R$ 1.302,79. Essa queda fez a renda média retornar ao patamar do início da série, no ano de 2012.

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