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A pandemia agrava a fome das pessoas que moram nas periferias de JP

“A primeira necessidade é resolver o problema da fome”. Ao ouvirem a declaração sobre a expansão da pandemia da Covid-19 nas favelas de João Pessoa, pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) alertam sobre o aumento da precariedade nos bairros periféricos da cidade.
Análises dos pesquisadores da UFPB sobre a pandemia de Covid-19 revelam que, entre os dias 15 de maio e 3 de junho, a maior porcentagem dos casos se deu em bairros centrais empobrecidos e nas comunidades periféricas da Região Metropolitana de João Pessoa (RMJP).
“Em 20 dias, chamou a nossa atenção os acréscimos de casos confirmados em bairros centrais como Jaguaribe (468% de aumento) e Centro (419% a mais no período). Entre os periféricos, houve aceleração de casos no Bairro das Indústrias (384%) e Oitizeiro (330%)”, enfatiza o professor da UFPB e coordenador do projeto, Rafael de Pádua.
Dados do boletim do projeto “Direito à cidade e as lutas pelo espaço urbano: necessidades radicais e utopia” revelam que, com as chuvas e enchentes desta época do ano, as periferias da RMJP necessitam mais do que equipamentos de proteção sanitária e de limpeza para o combate ao novo coronavírus (Sars-CoV-2).
“A pandemia agrava uma questão que já é um problema histórico do país e que vem piorando nos últimos anos, com a falta de políticas públicas. Neste momento, o enfrentamento da expansão da pandemia de Covid-19 em lugares já muito precarizados da cidade continua sendo a urgência”, destaca o coordenador do projeto.
Para a estudante de Geografia da UFPB e moradora da comunidade Santa Clara (no bairro Castelo Branco I, em João Pessoa), Tatiana Pinho, em momentos como o atual (de quarentena e isolamento social), as soluções quando chegam são baseadas na abordagem da favela como “um espaço que precisa de ajuda” e que “essa ajuda é sempre a de provimento”. e acordo com a estudante, o desamparo de políticas públicas para as comunidades é evidente, mas a apatia da população para reivindicar direitos é ainda maior.
“Na maioria dos casos, a resolução é o envio e a distribuição de cestas básicas e produtos de higiene. Obviamente, essas ações ajudam muito. Mas há certa obscuridade no campo do entendimento sobre a particularidade de cada localidade e suas maiores necessidades”, acentua Tatiana.
Conforme a estudante da UFPB, para resolver o problema imediato da fome, as necessidades básicas nem sempre são alimentos e é preciso o entendimento de que há condições necessárias para transformar mantimento em comida, como fogão, panelas, gás de cozinha e água potável – “o que implica em impedimento para algumas famílias que estão muito precarizadas”.
Outra questão apontada pela pesquisadora da UFPB é em relação às quantidades de mantimentos que são distribuídas e nem sempre dão para todas as famílias. “No momento da distribuição, todos os moradores querem. Há uma brutalidade e um egoísmo gritantes diante do receio de não consumir. Mesmo em momentos críticos, quando a solidariedade deveria existir, a estrutura de consumo se potencializa e muitos que realmente precisam acabam ficando sem. Há uma disputa para ganhar a ajuda emergencial”, lamenta Tatiana.
O professor Rafael de Pádua afirma que as enchentes e os riscos em ocupações, favelas e bairros que estão em fundos de vale ou em encostas têm somado para o avanço da pandemia e da pobreza em João Pessoa.
“Essa é uma questão que revela também o modo que a cidade é produzida e nos leva a refletir sobre os fundamentos sociais (e não naturais) desses processos. A luta neste momento é pelo básico e pela vida, já que ela está em risco. Mas necessariamente é mais ampla. Envolve consciência (pensamento autônomo) e emancipação social”, aponta Rafael.

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