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Ministério Público analisa áudios e arapongagem envolvendo Cartaxo

 O Ministério Público da Paraíba (MPPB) vai investigar os áudios que circulam nas redes sociais e em blogs do Estado sobre conversa entre o prefeito Luciano Cartaxo (PV) e os secretários Adalberto Fulgêncio (Saúde) e Diego Tavares (Ação Social). No áudio, há uma conversa sobre a combinação de pagamentos a fornecedores do Executivo em 2018. O tema fez com que adversários do verde sugerissem suposta negociação de propinas para “caixa 2” na campanha de 2018. O caso será investigado pela Comissão de Combate aos Crimes de Responsabilidade e à Improbidade Administrativa (Ccrimp). A contrapartida, com o balão de ensaio criado, é que o prefeito provocou o Ministério Público da Paraíba para uma outra investigação. Ele quer que seja feita uma apuração sobre suposta rede de “arapongagem, ilícita e criminosa” no Estado. O argumento usado pelos advogados Carlos Aquino e Eduardo Cavalcanti é o de que estaria havendo sistemática utilização de grampos ilegais, com a finalidade de capturar de forma clandestina conversas privadas. A conduta teria como objetivo posterior produzir informações falsas, distorcendo o conteúdo. Os dois casos serão analisados pela Ccrimp. O fato mais polêmico da conversa entre Cartaxo e os secretários é o trecho no qual se fala sobre o pagamento a um dos fornecedores. Confira o trecho: 

Adalberto: Mas tem R$ 2 milhões na zero zero, aí o caba queria como foi em 2016, além do que a gente ficava pagando (…trecho incompreensível)…tem ainda Kairós, Kairós deve ter R$ 1 milhão, tô dando um chute aqui. Mas se botar na zero zero tem como pagar. Eu não tenho na 25. Você autorizando isso eu acho que dá pra pegar aí R$ 1 milhão, R$ 1 milhão e meio, tá certo. 


 Luciano: mas a gente tem que pagar a mais pra poder pegar R$ 1 milhão. 


Adalberto: Ah, tá certo, o senhor está certo (….). Luciano: Tem que ser um que dê pra pagar de R$ 300 a R$ 400 mil. Adalberto: Eu acho que até R$ 2 milhões dá pra pagar, assim na zero zero. De R$ 1 milhão vai tirar R$ 200 mil. 


 Procurado pela Revista, o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPPB, Octávio Paulo Neto, explicou que nestes casos dois pontos precisam ser analisados. É preciso aferir a legalidade e a legitimidade do áudio. Não se sabe, pelo menos até agora, quem fez a gravação e nem como ela se tornou pública. A constatação inicial é a de que houve captação ilegal. Neste caso, o conteúdo multimídia não pode ser usado como prova para incriminar. Apesar disso, ele pode indicar linhas de investigação, como uma análise sobre os pagamentos e se houve irregularidade neles. O nome do promotor que vai ficar encarregado da investigação ainda não foi revelado pelo Ministério Público.

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